Cada eleição que passa tento em vão procurar a solução
para o fim dos males que nos impedem de sermos mais felizes no
país que fomos nascidos. E se aceitamos a escolha dos nossos
pais e os pais de nossos pais, então queremos dar uma chance
melhor aos filhos de nossos filhos. Simples assim!

Não por menos que devemos olhar para o horizonte. Não
por menos que devemos estar à frente de todas as causas que
considerarmos justas.

Não por mais nem por menos que devemos assumir esta
obrigação e este dever de fazermos uma nação e não
esperarmos uma nação feita.

Não tem ninguém que faça se nós não estivermos
liderando. Não tem ninguém que resolva os nossos problemas se
nós não encararmos os medos e frustrações e pelo menos
trilharmos em caminhos mais justos e dignos.

De tão simples que era a resposta, parece-nos até absurda. Ou
levantamos da nossa confortável e agradável poltrona e
desligamos o controle remoto das nossas vidas e da televisão, ou
estaremos finalmente assumindo ativamente a posição de
sermos passivos.

Resumindo, não reclamemos daquilo que por omissão
não resolvemos participar. Há uma grande sabedoria popular
quando ouvimos que “Cada país tem os governantes que
merece”…

Nada pode parecer tão injusto que não possa ser
consertado a não ser a morte de nós mesmos pela incapacidade
de aguentarmos todo o peso nos ombros.

Enquanto uns caem tentando, outros aumentam a carga,
desequilibrando o que seria a mais pura harmonia e traduzindo
em lágrimas e dor o resultado insatisfatório desta equação.

(trecho do livro O Outro lado do Ódio – A Inconformidade Praticada, 2012 e ilustração: desenho à mão – 2011 – Mauricio Maciel)

*   *   *

Eu me canso facilmente das manchetes. Elas trazem na essência resumos de acontecimentos com óbvios vieses. Quer seja o foco que o observador quis dar, quer seja a corrente político-ideológica-partidária que defendo. Entendo os motivos e eu também ajo assim. Direcionamos o público ao nosso ponto de vista, mas não quer dizer que não cause cansaço, repulsa ou até ódio…

Por mais que não gostemos, precisamos delas, ora pela convicção que existem pensamentos diversos dos nossos, ora para saber que até os idiotas podem se expressar livremente. Viva a liberdade de escolhas e de manifestações. Viva a internet. Viva a tecnologia. Viva tudo o que o capitalismo trouxe de bom!!! Infelizmente é vivo também a outra parte da história.

Quando vamos aos fundamentos, concluímos que não aprendemos a debater com ideias diferentes das nossas, não há espaço para negociações nem tampouco existe interesse em fazê-lo. Tenho em mim algumas poucas Verdades absolutas. E assim somos e vamos. Por outro lado, todo o resto pode ser transformado e priorizado, re-priorizado ou abandonado, desde que hajam argumentos, razões, verdades até então desconhecidas.

Temo que demorei mais do que devia para aprender sobre o contraditório, mas soube e tento apresentar o que penso considerando o meu momento e aprendi a mudar e repensar sempre que se faz necessário.

Volto às manchetes, daquelas rápidas e enigmáticas àquelas brutas e sensacionalistas. Elas, sem a profundidade das manifestações contrárias e até mesmo as favoráveis, se tornam objeto de pensadores modernos que decidem e opinam simplesmente pelo resumo-abreviado-curto-da aparência do que pode ter sido e, portanto, tornam-se especialistas em comentar mundialmente tudo o que tem certeza que sabem.

Assim é o mundo, assim são as pessoas e assim surgem e se perpetuam debates acalorados e vazios de pseudo-verdades absolutas e incontestáveis e inegociáveis.

Quando chega a hora do debate, não importa somente se estamos apoiando os vencedores, importa também como foi e tem sido o caminho e quão melhores saímos dele ao conhecer o contraditório, reforçando nossas convicções ou nos obrigando a revê-las, mas sempre nos tornando melhores.

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Foto por Pixabay em Pexels.com

Que halloween que nada, o que realmente me apavora é ler a próxima manchete dos jornais. Os tempos no nosso país não estão nada fáceis. A notícia vem tão rápida e fulminante que não dá tempo de nos desviarmos dela. São pequenas porções diárias de sofrimento interminável…

Os sobreviventes do embate eleitoral, tem a árdua missão de criar um caminho organizado e direcionado.  Mas a repercussão crescente da consciência democrática tem revigorado meu espírito, e me motivado a fazer parte da corrente que vai transformar a crise em oportunidade.

Tá bom que parei de ver o Jornal Nacional faz tempo, e isso resolveu metade dos meus problemas, mas a outra metade não dá pra fugir, a menos que aconteça uma guerra mundial e alguma super mega potência lançaria uma bomba eletromagnética ou e-bomb ou PEM. Essa arma seria capaz de estragar todas as coisas conectadas na eletricidade.

E olha que são tantas coisas conectadas, que não há vida sem água, oxigênio e eletricidade (não necessariamente nesta ordem). Um dia sem água, o sujeito até sobrevive, mas quando o wi-fi cai ou a rede de telefonia celular sai do ar, ou a bateria avisa que faltam 5% para a morte definitiva, o caos se estabelece.

Mas essa e-bomb, não traz outros efeitos colaterais ao ser humano, fora a necessidade de uma desintoxicação pela ausência de celulares… Nesse caso a notícia não chegaria mais, mas também não chegaria uma piada, nem um vídeo, nem tampouco um zap zap. O colapso impediria que o cartão do bolsa família funcionasse, porque os terminais bancários não estariam mais conectados. Seria um catastrófico retorno aos primórdios do surgimento do homem. Voltaríamos para o escambo…

Não ia demorar muito para termos sintomas claros de abstinência de tecnologia e, aqueles que não ficassem loucos à deriva de seus próprios pensamentos, seriam lentamente libertos do vício dos nossos tempos.

Aprenderíamos a fazer coisas novas, como, deixa eu ver, como é mesmo o nome daquele papel fininho colado em varetas e amarradas num fio embebecido de cerol, que subiam com o vento? Ou aquele arco que as crianças giravam no corpo? Talvez seja mais fácil lembrar do nome daquelas pequenas fichas em cima de um tabuleiro com um desenho de campo de futebol, com traves e uma bola de botão? Quem sabe aquela brincadeira que corremos para nos esconder e alguém conta pra nos procurar? Ou então procure seu tabuleiro empoeirado de WAR, IMAGEM E AÇÃO, CAÇA-PALAVRAS…

Junte a turma menor em círculos, pegue um livro pra ler, conte uma história, lembre-se que as gerações que chegam, primeiro aprendem com os exemplos que temos em casa, e com os hábitos e costumes. Depois é que eles começam a seguir as palavras…

Talvez nessa hora, o homem olhasse para o que realmente importa e visse o quão distante nos tornamos daquilo para o qual fomos criados. Este ser humano, já não carrega na sua humanidade os traços divinos corrompidos na natureza pecaminosa incorporada.

Então para mudar tudo aquilo que queremos no país, a mais importante arma que temos é voltar a nos conectar com Aquele que tem o controle de tudo, “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

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