O nosso idioma nos permite entender o verbete presente de duas grandiosas formas.

Quer seja como algo que ganhamos, quer seja o contexto temporal que vivemos. Talvez seja mais correto pensar que o presente é sempre duas coisas juntas e por isso se torna tão especialmente importante.

Os segundos que ganhamos todos os dias deveriam ser produtivos, intensos e cheios de propósitos. Alguma vez em nossas vidas fomos pegos conspirando contra nossa existência?

Quais são as motivações que temos em nossas vidas?

Do glamour dos antigos Electras, para o fast travel das empresas áreas de hoje, muita coisa mudou.

As fotos ficaram digitais, o mundo se conectou tantas vezes que a notícia chega até nós sem precisarmos procurá-la. Os telefones ficaram sem fio e depois ficaram celulares as redes são invisíveis a olho nu e incompreensíveis a cérebro nu.

Os dias se aceleraram e o tempo ficou escasso, o ginásio, virou segundo grau que virou ensino médio. O ensino que chamamos de médio é ruim, médio quando estudei e bom antes disso.

Nossos vizinhos tornaram-se invisíveis a contatos, inclusive nos elevadores. Falamos com o mundo, mas não jogamos conversa fora no jardim ou na frente das casas.

As ruas ficaram perigosas, os dias ficaram perigosos, a polícia ficou perigosa. O Maracanã veio abaixo e foi reerguido, mas hospitais e creches veem abaixo e se enterram…

Quase todos falam inglês, mas muitos já estudam mandarim?! Derrubaram muros, fizeram guerras, mudaram gerações, vieram e se foram poetas. Escrevemos histórias com suor e sangue, e as distâncias se encurtaram tanto, que por um triz não estamos no passado.

O futuro chegou e, pasmem, e nossas necessidades básicas se mantiveram estáveis, senão piores…

A saúde está um lixo, o lixo não aproveitado está enterrado, os colégios aceleram a entrega de cidadãos prontos para usarem as cotas que lhes foram concedidas.

As universidades vivem em greve e os professores abandonados. A violência assola a população que tem medo de tanta coisa e da polícia também.

O transporte público é licitado ano após ano, privilegiando a manutenção de status que não suportam o crescimento das cidades. Municípios são criados sem terem como sobreviver, mais vereadores, prefeitos e secretários passam a sobreviver de cotas do governo federal.

Os impostos destroem a classe trabalhadora que compra e consome produtos e serviços e não se recorda que na época das monarquias e impérios o governo só tomava a quinta parte, quando não menos…

Hoje somos assaltados pelo governo que promete tudo, mas entrega vergonha atrás de vergonha para os cidadãos honestos.

Escândalos são descobertos mais rápido do que os noticiários tem espaço para veiculá-los! É o fim do fim…

Talvez por isso, falar do espaço ridículo que as empresas aéreas proporcionam para os passageiros, agora chamados de clientes, passa a ser muito pequeno.

Mas a proposta inicial era tentar entender a relação entre as mudanças e a mudança do conforto para os assentos desconfortos de hoje em dia. Pois tem quem chame de assento conforto, o espaço de alguns centímetros a mais, para sortudos bem-aventurados que pagam.

Logo, concluo que todos os demais assentos estão na categoria, por mim criada, de assento desconforto! E vamos embarcar.

Não fiz yoga nem meditação nem tampouco nenhuma arte milenar oriental que me ensinasse a abstrair do tempo e me deslocar espiritualmente para um lugar onde as poltronas são confortáveis, reclinam razoavelmente e, pasmem, há espaço para você, quem estiver do seu lado e, principalmente, suas pernas.

O paraíso da aviação área costumava ser um lugar mais facilmente frequentável, mas o mundo exige que nos compactemos e nos convençamos de que as coisas tem que ser assim, e tendem a piorar.

Não bastasse o espaço desconforto cedido para os coitados dos clientes, temos que ser cada vez mais comprimidos pela ganância do sócio majoritário de todas as empresas desse país.

Aliás, categoria de sócio que compartilha do lucro, retirando a parte que lhe cabe antes dos empreendedores, empresários ou autônomos.

Não falo da classe assalariada pra não causar comoção.

Pagamos tributos e os serviços são péssimos, burocratizados, estatizantes, quando não há greves, e operações-padrão. Isso se puder classificar a maioria das obrigações do estado como serviços, pois estão mais para desserviços!

Greve por melhores salários dos servidores públicos e a população quem deveria fazer greve por melhores serviços!!!

“Não vou pagar imposto hoje porque estou em greve até o hospital melhorar!” – bradou um ser na multidão.

“Não vou recolher taxas municipais até os buracos das ruas serem tapados. IPVA nem pensar! IPTU (rima com algo impronunciável nesta hora do dia…)!” – responderia um cidadão enjoado de ver tanto desperdício de recursos públicos.

Impostos, ganância, corrupção, escândalos, vadiagem executiva e irresponsabilidade administrativa.

E eu preocupado com a porra do assento apertado!!!

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