Eu me canso facilmente das manchetes. Elas trazem na essência resumos de acontecimentos com óbvios vieses. Quer seja o foco que o observador quis dar, quer seja a corrente político-ideológica-partidária que defendo. Entendo os motivos e eu também ajo assim. Direcionamos o público ao nosso ponto de vista, mas não quer dizer que não cause cansaço, repulsa ou até ódio…

Por mais que não gostemos, precisamos delas, ora pela convicção que existem pensamentos diversos dos nossos, ora para saber que até os idiotas podem se expressar livremente. Viva a liberdade de escolhas e de manifestações. Viva a internet. Viva a tecnologia. Viva tudo o que o capitalismo trouxe de bom!!! Infelizmente é vivo também a outra parte da história.

Quando vamos aos fundamentos, concluímos que não aprendemos a debater com ideias diferentes das nossas, não há espaço para negociações nem tampouco existe interesse em fazê-lo. Tenho em mim algumas poucas Verdades absolutas. E assim somos e vamos. Por outro lado, todo o resto pode ser transformado e priorizado, re-priorizado ou abandonado, desde que hajam argumentos, razões, verdades até então desconhecidas.

Temo que demorei mais do que devia para aprender sobre o contraditório, mas soube e tento apresentar o que penso considerando o meu momento e aprendi a mudar e repensar sempre que se faz necessário.

Volto às manchetes, daquelas rápidas e enigmáticas àquelas brutas e sensacionalistas. Elas, sem a profundidade das manifestações contrárias e até mesmo as favoráveis, se tornam objeto de pensadores modernos que decidem e opinam simplesmente pelo resumo-abreviado-curto-da aparência do que pode ter sido e, portanto, tornam-se especialistas em comentar mundialmente tudo o que tem certeza que sabem.

Assim é o mundo, assim são as pessoas e assim surgem e se perpetuam debates acalorados e vazios de pseudo-verdades absolutas e incontestáveis e inegociáveis.

Quando chega a hora do debate, não importa somente se estamos apoiando os vencedores, importa também como foi e tem sido o caminho e quão melhores saímos dele ao conhecer o contraditório, reforçando nossas convicções ou nos obrigando a revê-las, mas sempre nos tornando melhores.

*   *   *

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: