Me lembro quando vi pela primeira vez um prédio ser cercado por grades de proteção visando à segurança dos moradores. A obra não tinha as tecnologias nem as preocupações modernas de acessibilidade, era fria e bruta, como aquelas que deviam cercar as cadeias e prisões federais.

Lembro que perguntei para o senhor que havia recém levantado sua mascara, num intervalo entre faíscas e ruídos que me fascinara, “Quem pediu pra fechar o prédio?” – talvez tenha sido a pergunta que imaginei ter feito, nesta altura da vida, os acontecimentos não são mais tão claros.

A resposta veio com um simples frase – “Tá todo mundo pedindo”… Primeira vez que vi a oferta e demanda funcionando. Lógico que não entendi desse jeito, mas me preocupei e perguntei em casa se nosso prédio ia ter também…

Não entendi bem o que tinha acontecido, mas acho que foi exatamente naquele instante que deixei minha infância e entrei na adolescência. O mundo não era tão simples como podia imaginar e viria cercado de contornos mais complexos do que até então conhecia.

Àquela época, andava só pelas ruas do bairro, indo e vindo da escola e principalmente para o pós-escola… E nada me tiraria da tranquilidade, nem mesmo a insegurança das ruas do Estado do Rio de Janeiro há quase 35 anos atrás…

De degrau em degrau tudo entrou em colapso e o ciclo que fará retornar ao ponto de partida é maior do que o que fez chegar até aqui. A analogia que faço é que o tempo que o restaurador leva é muito maior que o tempo que o artista levou pra construir a obra…

E esse ciclo passa pela educação, primeiro aquela que recebemos em casa, por valores e por respeito, coisas que andam meio fora de moda nos dias de hoje…

Então comecemos hoje a plantar nosso futuro, deixando um pouco de esperança para os que ainda não perderam a inocência.

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