080 – De tragédias em tragédias – o Brasil que ninguém quer mais…

De tragédias em tragédias vamos vivendo e esperando a próxima demonstração da força da natureza e da fraqueza humana.  De tão óbvio me torno até cansativo em explorar esse tema, mas sem a catarse absoluta da nossa “inconformidade” e sem a atuação social articulada e importante não há saída! #blogdobubsi #brumadinho

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Hoje tem textão: uma declaração de basta às inúmeras desvantagens que uma gestão ineficiente, interesseira, inescrupulosa e por que não dizer, indecorosa.

De tragédias em tragédias vamos vivendo e esperando a próxima demonstração da força da natureza e da fraqueza humana.  De tão óbvio me torno até cansativo em explorar esse tema, mas sem a catarse absoluta da nossa “inconformidade” e sem a atuação social articulada e importante não há saída!

E digo desde já que nenhuma saída, ou a única saída, é simples, fácil ou possível de ser alcançada sem esforço. Considerando uma estrada em que anos andamos no sentido errado, temos um longo caminho para recuperarmos os valores éticos que nortearão o retorno às nossas origens humanas, mas menos imperfeitas possíveis. Até ouso dizer que nossa natureza impede de termos expectativas otimistas em relação ao nosso futuro e, por isso, não conseguimos olhar para o outro lado e percebermos que há esperança ao invés de aceitarmos que a esperança já morreu por último…

Sem reagirmos as mazelas e tragédias reais e aos discursos poéticos políticos com os quais não deveria nem haver cobertura jornalística senão pelo fato de informações sem fontes são menos confiáveis.  Enchem ruas, desabam morros, caem barreiras, barracos pegam fogo, aviões pousam nas ruas que irresponsavelmente circundam aquilo que um dia foi um aeroporto. Desviam-se recursos de pontes, hidroelétricas, colégios, hospitais.  Escondem a vergonha em cuecas, meias, malas-pretas e fingem que o mundo assim gira e portanto nada podem fazer se não houver acordos.

Não estou me preocupando neste instante com coisas menos representativas nem me preocupando com qual justiça vai prevalecer… no ponto de partida presumo que há apenas uma Justiça e o que nos resta é sermos o menos injustos possíveis, na medida das nossas imperfeições.

Também não vou repetir discursos que não trazem eco ou efeito práticos, pois o futuro já chegou tão rápido quanto nossa incapacidade enquanto cidadãos de mudarmos nossas cidades combalidas, nossos estados corruptos ou nosso país falido por tantos filhos que tratam o bem-comum como próprio e giram a máquina robusta ineficiente e obsoleta por outros chamada de Estado.

Pela origem da palavra o estado é a forma como as coisas são, e não tenho como discordar da máxima que temos o governo que merecemos e por isso as coisas são, ou o Estado é, exatamente desse jeito.

Vamos incluir 5 ou 6 gerações de governadores ou prefeitos que nunca se preocuparam com as grandes questões sociais a não ser nas proximidades dos pleitos onde são, sucessivamente, elevados ao status de mártires do povo…

Vamos temperar essa história com algumas pitadas de professores mal-remunerados, policiais estressados, hospitais decadentes, escolas despreparadas, Instituições burocráticas, serviços de transporte em massa péssimos e insuficientes para acomodar aqueles que lutam pra sobreviver na selva urbana.

Some-se a isso uma grande parcela da população vivendo com recursos insuficientes para ter a tranquilidade e expectativa de um sistema de previdência e saúde falidos onde, nem aposentados poderão estar, nem tampouco contar com assistência médica com qualidade mínima para sobrevida.

Acho que nos sujeitamos demais às regras que nos foram inventadas para promover o mundo tal como ele é. Sou a favor de ordem e do progresso, mas há muito que esses dizeres não empolgam, nem ao menos na nossa bandeira.

Resta-nos sentarmos sobre a cadeira do conformismo e nos esbaldarmos no banquete da infelicidade enquanto não damos nem migalhas para o caminho justo e incorruptível ao qual devíamos nos embrenhar.

Sendo assim, ou partimos para a prova prática, ou paramos aqui, e vivamos num mundo que ruma sem rumo aos dias em que não mais vivamos e sim sobrevivamos. Pura filosofia…

Sei que estou com um discurso meio infestado de imparcialidade pela raiva absoluta que me fez abandonar os noticiários antes do boa noite. Não existe hipocrisia maior que um sorriso após incontáveis, mas sucessivas, histórias descabidas e escabrosas, para nos fazer ninar e sonhar com catástrofes e nos conformar com o mundo que nos é apresentado.

*   *   *

Meus sentimentos aos familiares da tragédia em Brumadinho e aos de Mariana, que já sobreviveram à tragédia, ao descaso e à injustiça.

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