087 – Se fosse uma ponte, caía

087 – Se fosse uma ponte, caía

Assim fui surpreendido por um professor ao entregar minha nota de Cálculo II, quando ainda cursava Engenharia na UFF em 92. #blogdobubsi

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Se fosse uma ponte, caía! Assim fui surpreendido por um professor ao entregar minha nota de Cálculo II, quando ainda cursava Engenharia na UFF em 92.

Eu conto melhor a história: houve uma época que achei que podia ser engenheiro, assim fui do, hoje chamado ensino médio para o curso de construtores pontes. Nerd que eu achava que era, passava o dia na faculdade entre aulas, milhares de exercício na biblioteca, mais aulas e de vez em quando um vôlei pra fechar, à noite.

Era – e ainda sou – bastante confiante, alguns chamam convencido, fico com ambos, mas sempre no bom sentido! Entendia o conteúdo e acertava a maioria das derivadas, integrais triplas e outras maluquices que envolviam o cálculo avançado.

Saí de uma prova confiante, ou convencido, de que ia acertar tudo, afinal fui um dos pouquíssimos calouros que haviam passado em Cálculo I sem necessidade de prova extra.

A surpresa veio na nota, o professor anunciava a nota de todos, segundo ele, por ordem decrescente de QI (isso foi bem antes de inventarem o bullying) e nada da minha prova chegar… de repente a nota 2,5 foi atribuída pra mim. Fiquei sem chão.

Revendo a prova

Como não tinha recebido a prova, só a nota, decidi fazer o que só calouros ou universitários de 2 ano fazem, pedi revisão da prova. O infeliz me deixou duas horas esperando, entre 12h e 14h, e os que me conhecem sabem como fico com fome, para então me chamar.

Estava só na sala, não vou declarar as coisas que estava pensando sobre ele, ou o que sua imagem me passava, porque ele morreu de infarto menos de um ano depois disso, nada culpa minha ou dos meus desejos momentâneos.

Eram duas questões e a segunda dependia do resultado da primeira. Ele pegou minha prova com desdém ficou uns 2 minutos olhando pra ela, mudo, com ar superiormente sério, balbuciou algo incompreensível e finalmente me olhou e disse: Você tem razão, acertou tudo! Sua prova está toda correta….

Antes que eu sorrisse com ar de sabedoria e saísse triunfante de lá, para um futuro medíocre na engenharia, ele me ensinou algo que levei uns dez bons anos pra aprender.

Lição aprendida

Ele disse: Você copiou o enunciado – algo como uma expressão matemática, cheia de letras gregas e símbolos que hoje nem imagino o que sejam – com um erro de sinal. Você trocou um “mais” por um “menos”, ou seja fez tudo certo, mas como copiou um sinal trocado, se fosse uma ponte, caía! Sua nota realmente não é essa.

Nessa hora ele riscou a prova inteira (ela estava intocada) e me deu a famosa nota zero e uma lição pra vida. Naquela hora só levei a nota!

Saí dali para nunca mais voltar para uma sala de engenharia, me matriculei para o vestibular, fiz a prova naquele mesmo semestre, e logo no início do outro ano já estava cursando Contabilidade na mesma faculdade.

Melhor coisa que fiz na vida, comecei a trabalhar, estudava de noite e aprendi demais no caminho que segui. E hoje agradeço a lição que recebi naquele dia. Mas nunca tive a oportunidade de agradece-lo pessoalmente. Faço hoje, anonimamente, mas compartilhando o que aprendi.

Você já enxergou as pontes que deixaria cair? É libertador! Sugiro que achem seus caminhos mesmo que implique em mudar algumas rotas, antes que deixemos, frustrados, pontes pelo caminho.

* * *

Para ler mais:

066 – Domingos à noite

052 – Fique pronto

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