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170 – País apaixonado pela burocracia

Vivemos num país apaixonado pela burocracia. Eu me lembro do primeiro currículo que fiz (e não entreguei). Foi pra atender um pedido da minha esposa (na época namorada). Ela viu um programa de estágios aberto e quis levar os nossos currículos. #blogdobubsi

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Vivemos num país apaixonado pela burocracia. Eu me lembro do primeiro currículo que fiz (e não entreguei). Foi pra atender um pedido da minha esposa (na época namorada). Ela viu um programa de estágios aberto e quis levar os nossos currículos.

Era um banco americano e eu tinha recém voltado da Inglaterra, e estava no início do segundo período da faculdade de Contabilidade.

Não me imaginava trabalhando até que eles me chamaram e me contrataram. Era pra área de Controles Internos, no final de 1993. Não éramos nem Tetra-campeões, e o celular ia chegar como modernidade dois anos depois.

Mas o que destaco é que, embora tenha sido admitido como estagiário, precisava que a Universidade Federal me desse um documento informando os créditos concluídos, para que a empresa que intermediava a contratação dos estagiários pudesse me declarar apto para a vaga.

E achamos normal isso. A burocracia existente quase me impediu de começar a carreira. Tive que ir na Reitoria e na minha Faculadade umas três vezes ao menos. Para conseguir alguém pra emitir uma página de documento. Depois pra carimbar e assinar, quase implorei. E quase perdi a vaga.

Digo quase, porque antes do fim, ainda ia brigar.

Inúmeros exemplos espalhados no cotidiano

Até hoje, não tem uma vez que eu não passe no DETRAN sem me irritar. Outro dia renovei minha carteira, foi bem rápido e eficiente. Do ponto de vista dos fazedores de lei. Basta uma foto, a cópia do documento e um exame de vista. Pagamos duas taxas, uma para a clínica e a outra para o DETRAN. E assim o documento chega em casa.

Agora se olharmos com detalhes: Mais de trezentos reais. A milésima cópia da carteira de motorista que tiro (carteira que eles emitiram e que precisam da cópia pra saber que a original que eles tem lá está correta). Depois um exame que faria, se isto fosse um país sério, o médico perder seu diploma. De tão superficial e inútil. E tem que ser deste jeito.

Os cartórios me dão alergia e a burocracia é uma doença quase incurável. Você dá uma procuração para venda de um imóvel e, quando vão vender, pedem uma certidão da procuração. Fora as quinhentas outras certidões que, dependendo do cartório e do estado, são diferentes.

Posso dar inúmeros exemplos, mas garanto que vocês tem os próprios.

Algumas dezenas de anos depois, já vemos diversas iniciativas para dar celeridade ou melhorar a nossa vida, mas basta ter que renovar o passaporte para lembrar que precisamos comprovar que votamos, para conseguir viajar.

Então meus amigos, não deixem esta paixão entrar nas suas empresas. Nem disfarçada de controle, nem misturada com qualquer outra desculpa ou culpado. Matem a burocracia e sejamos felizes!

Para ler mais:

140 – Rotinas invisíveis

053 – Novas possibilidades

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